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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011






Biografia do missionário Robert Morrison na China

Tradução: João Cruzué

Robert Morrison nasceu na Escócia em 1782, de uma piedosa família de crentes Presbiterianos. Eram muito pobres e seu pai trabalhava fabricando formas de sapatos. Robert teve que deixar os estudos ainda criança para ajudar-lhe, mas como gostava de aprender, seguiu com os estudos em casa.Aos 15 anos entendeu o que é mais importante na vida: que ele era um pecador, um homem perdido e para se salvar devia aceitar a Jesus como seu Salvador. Assim ele fez, e depois disso, compreendeu que era seu dever levar também a outros a história desse Salvador para que todos também pudessem se livrar de seus pecados.
Depois de trabalhar por uns tempos nas Igrejas da Inglaterra, Morrison associou-se na Sociedade Missionária de Londres com a idéia de se tornar um missionário na China. Por essa ocasião já dominava o latim, o grego e o hebraico.Como não havia nenhum missionário protestante ainda na China, Morrison se apresentou para ser o primeiro. Como a principal tarefa que lhe haviam encomendado foi a tradução da Bíblia para o mandarim, se propôs a estudá-lo, enquanto se preparava em medicina e astronomia.
Quando encontrou um manuscrito que continha a tradução de alguns trechos da Bíblia em uma biblioteca, tirou uma cópia para estudar detalhadamente, com a ajuda de um chinês que se ofereceu para ajudar. Esse esforço lhe foi muito útil, pois lhe permitiu economizar um tempo precioso quando esteve na China.
Para chegar até lá teve que viajar por cinco meses. Em 04 de setembro de 1807 aportou-se na cidade de Cantão, ao SUL do país, ao lado de Macau, uma colônia portuguesa. Permaneceu ali durante algum tempo, depois conheceu a jovem Mary Morton, com quem se casou em fevereiro de 1809.Morrison não se deu conta de quão grandes eram as dificuldades que precisava vencer para chegar lá. O que sabia do idioma não lhe permitia o necessário para uma tradução, e quando buscou um mestre não pode encontrá-lo, pois havia uma lei que condenava à morte qualquer pessoa que ensinasse a língua chinesa a um estrangeiro.
Finalmente apareceram dois homens que tinham conhecido alguns missionários católicos que aceitaram ajudar, embora cheios de temor. O medo que possuíam não era tanto quanto à morte em si, senão pela sua forma, em meio a torturas terríveis. Estavam a tal ponto assustados que levavam sempre consigo um frasco com veneno para suicidarem-se caso fossem descobertos.Aprender o chinês não era coisa fácil e por aquela época era ainda pior, pois não existiam nem dicionários nem bons professores.
John Wesley afirmou certa vez que “ O chinês era um invento do diabo para que não se pudesse pregar o evangelho aos chineses”. Milne, um missionário que mais tarde seria companheiro de Morrison, dizia que para aprender o mandarim era preciso: um corpo de bronze, pulmões de aço, cabeça de carvalho, olhos de águia, coração de apóstolo e memória de anjo... e a vida de Matusalém”
Além de trabalhar na tradução da Bíblia, Morrison se ocupou de fazer uma gramática e um dicionário, para que os missionários depois dele, pudessem aprender o idioma com mais facilidade.Um chinês chamado Tsae A-ko, foi um grande instrumento preparado por Deus para ajudar o trabalho de Morrison. Ele ia de noite a sua casa, as portas e as janelas eram bem fechadas, para que ninguém de fora visse o que faziam, por que corria perigo de vida, e ali se punha a traduzir ou corrigir, enquanto que Morrison lhe ensinava as verdades do Evangelho.
Foram gastos 14 anos para traduzir a Bíblia e 16, para concluir o dicionário que foi editado em quatro volumes, com cerca de 4.500 páginas cada um. Tsa A-Ko compreendeu finalmente que aquilo que o missionário lhe ensinava era a Verdade e se batizou em 1814, tornando-se então o primeiro evangélico chinêsDepois de ter traduzido a Bíblia, o problema era sua publicação, pois as penas para quem imprimisse livros cristãos eram tão severas como para aquele que ensinava o idioma. Afortunadamente, depois de muito trabalho, Morrison encontrou quem o fizesse, todavia secretamente. Para diminuir o medo do impressor, quando os pacotes com as Bíblias eram entregues, ele os rotulava com um título falso para disfarçar o “perigoso conteúdo”.
Porém, Morrison não se dedicou somente a traduzir, senão que chegou a estabelecer uma escola chamada Colégio Anglo-Chinês, mais tarde conhecido como Ying Wa College. Esta escola foi transladada para Hong Kong no ano de 1843, quando este território passou a ser controlado pelos britânicos. Esta instituição permanece até os dias de hoje como uma escola secundária.
Robert Morrison nunca teve uma boa saúde e, como trabalha muito, era mesmo impossível que sarasse completamente. Morreu quase repentinamente em 1º de agosto de 1834 em Cantão, China, quanto tinha 52 anos.
Durante sua vida conseguiu a conversão de poucas pessoas, mas seu trabalho traduzindo a Bíblia, preparando o dicionário inglês-mandarim e de edição de uma gramática sino-inglesa, fez com que fosse possível a conversão de milhares de chineses depois da sua morte.
Do blog: Olhar Cristão

sábado, 30 de janeiro de 2010

Marcas de uma Igreja Saudável - 2 -Palavra




Dizem que o sangue de John Bunyan era biblino: se cortassem seu braço iriam escorrer versos bíblicos ao invés de sangue. Sua vida encharcada pela Palavra inspirou a escrita do Peregrino, o livro mais vendido depois da Bíblia, enquanto esteve prisioneiro por 12 anos. Precisamos de crentes desta estirpe: gente que conheça toda a Bíblia, que medite nos seus princípios, memorize vários dos seus capítulos chaves e aplique a Palavra do Senhor aos seus diversos pensamentos, sentimentos, relacionamentos de maneira que ela vivifique, forme e transforme. João Calvino, nas suas Institutas da Religião Cristã, ensina que a primeira marca da verdadeira igreja é a fidelidade à Palavra de Deus. Ele ensinava que “onde quer que encontremos a Palavra de Deus fielmente pregada e ouvida... ali, não se pode duvidar, está uma igreja de Deus” (Brown, 68-69). A Palavra é indispensável para o amadurecimento cristão. Ela nos dá o conhecimento de Deus e é a fonte da nossa direção que vem de Deus (Pv 3:5-6).

A Palavra define a conduta cristã. Com freqüência os cristãos tomam decisões nas suas famílias, casamentos ou profissões que vão contra o que está escrito na Bíblia. Por vezes, eles sabem o que a Bíblia diz. Por que não seguiram suas instruções? Eles dizem, eu senti que deveria fazer isso ou achei a ordem Bíblica muito rígida. E assim continuam buscando a vontade de Deus no coração, mas desprezando a vontade de Deus revelada nas Escrituras. Ou a Bíblia nos sentencia ou ela nos confirma. Porque a Palavra de Deus, como fielmente registrada nas Santas Escrituras, é normativa. Os Reformadores firmaram o seu credo: Sola Scriptura. Martinho Lutero desafiou Roma e os nobres germânicos por causa da Palavra.

O texto de 2 Tm 3:16,17 explica algo muito importante. A Palavra de Deus é “inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra”. Encontra-se nele que a Palavra de Deus foi dada com dois propósitos promordiais, a perfeição e a habilitação. As palavras perfeito e habilitado tem a ver com “saber” ou “ser e fazer”. Ambas apontam não para o conteúdo, mas sim para a aplicação da Palavra à nossa vida. Ou seja: 1) Caráter: Quem ele é. Para que o cristão seja perfeito (artios) apto, completo, suficiente. 2) Comportamento: o que ele faz. Para que ele se torne habilitado (exertismenos) completamente trajado, provido, equipado para toda boa obra.

Pode-se aplica a Palavra de quatro maneiras diferentes a fim de produzir mudança: Com relação a crença:
1) Ensino (didaskalian) ensinar, instruir. Ocorre quando explicamos a Palavra (Rm 15:4);
2) Correção (epanorthosin) “tornar novamente reto”, levantar aqueles que caíram, corrigir quem está no erro. Com relação ao comportamento:
3) Educação na justiça (paideian) criação da criança, guiar no caminho. Castigo e disciplina estão incluídos (Ef 6:4, Hb 12:5,8);
4) Repreensão (elegmos) convicção, punição, censura a um pecador.
Orlando Costas nos lembra que esta passagem põe as Escrituras no centro da expansão missionária. Ela não só se destaca na comunicação da mensagem da salvação, como também no processo de maturação interna (“perfeito”), de reflexão (ensinar, redargüir, corrigir, instruir) e de encarnação profética (“na justiça para toda boa obra”) (Costas, crescimento). Conforme D. L. Moody escreve: “A Bíblia não foi dada para nos dar informação, mas para operar transformação”.

A importância da Escritura para o tema “conhecer a Cristo” nunca pode ser superestimada. Não é que simplesmente não tenhamos um conhecimento confiável de Cristo fora da Bíblia; a interpretação claramente cristã de Jesus Cristo – que é, no final das contas, o evangelho – é também mediada primariamente na Escritura e através dela (McGrath, ano, pág).

Como João Calvino coloca, “não temos que lidar com um Cristo despido, mas com um ‘Cristo que é vestido com o evangelho’. Temos que lidar tanto com a pessoa de Cristo quanto com a interpretação de Cristo que encontramos no Novo Testamento” (Calvino, ?). Vários reformadores representavam uma geração de líderes que valorizaram a Palavra de Deus acima de todos os outros livros. Para Calvino, tudo era exposição bíblica. Para se ter uma idéia, ele foi expulso pelo Concílio da cidade de Genebra no domingo de Páscoa, em 1538, após pregar um sermão no livro de Deuteronômio. Ele retornou três anos depois, em Setembro de 1541, e pregou seu primeiro sermão no versículo seguinte! Eu tenho a coleção dos sermões de João Calvino. Ele pregou 200 sermões no livro de Deuteronômio, 186 sermões em Coríntios, 43 sermões em Gálatas, 123 sermões em Isaías, 159 sermões em Jó, e assim por diante.

Por mais que destaquemos a importância fundamental do estudo e meditação da Palavra para nossa vida cristã, ainda assim seria insuficiente. Como o registro fidedigno da revelação, a Bíblia tem um papel inquestionável no crescimento do povo de Deus. A vida cristã se nutre com a leitura e ensino das Escrituras. Um dos meus professores no Westminister Theological Seminary havia memorizado uma grande parte do Novo Testamento e vários capítulos do Velho Testamento (ele preferia não dizer o quanto para não provocar surpresas nos outros e o levassem a se envaidecer). Como ele fazia isso? Repetindo os versículos, durante as 2 horas no carro, saindo de casa para a igreja e de volta para casa, no trânsito congestionado da Filadélfia, Pensilvânia. George Miller, por exemplo, leu mais de 200 vezes a Bíblia, sendo que 100 dela depois dos seus 70 anos de idade, 4 vezes por ano, enquanto orava. Nós temos centenas de exemplos de santos e sábios na história da igreja que valorizaram o conhecimento, memorização, meditação, proclamação e aplicação da Palavra de Deus acima de tudo o mais na vida e realmente encontraram alegria, paz e prazer para viver.